CRISTÃO SUICIDA VAI PARA O CÉU OU INFERNO? Uma visão Pastoral

O suicídio é um importante problema de saúde pública, com impactos na sociedade como um todo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima- -se que no mundo, mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio anualmente, sendo a quarta maior causa de mortes de jovens de 15 a 29 anos de idade.

O comportamento suicida divide-se em 3 fases: pensar em suicídio, tentativa de suicídio e consumação do ato. A pessoa que pensa em tirar sua vida, acredita que não existem soluções para os seus problemas e, normalmente, dá sinais de um desequilíbrio emocional, que pode passar despercebido por familiares e amigos. A depressão, possivelmente, seja a maior causa para algum tirar a vida


Nas últimas décadas, observa-se o crescimento ininterrupto dos casos de suicídio no Brasil. Os números são especialmente preocupantes entre jovens. Em um período de 28 anos, houve um aumento de 30% nos casos de suicídio, taxa maior do que a média das outras faixas etárias. A taxa cresce por uma conjunção de fatores. "A sociedade está cada vez menos solidária, o jovem não tem mais uma rede de apoio. Além disso, é desiludido em relação aos ideais que outras gerações tiveram", afirma Neury Botega, psiquiatra da UNICAMP

O crescimento deste fato também aparece no meio dos pastores evangélicos. As noticias pelos jornais e redes sociais tem trazido ultimamente diversos casos de suicídios que tem chocado o meio religioso evangélico. E muitas questões são levantadas desejando não somente saber as razões do suicida para tomar essa decisão mas por outro lado a preocupação com a eternidade ou vida após a morte é levantada: Será que ele foi salvo ou foi para o céu ou inferno? Uma pergunta que tem despertado além da curiosidade, o interesse para saber o que a bíblia fala sobre isso.

A resposta, embora simples, pode ser afirmado com certeza. Objetivamente a Bíblia nada fala sobre o tema. De forma objetiva somente existe o mandamento "Não matarás", mas o contexto não trata sobre suicídio. Então, que se pode falar sobre este assunto? Se a Bíblia não é clara sobre o tema suicídio que se pode extrair do ensino bíblico a respeito do assunto? É necessário auscultar pelas páginas da Sagrada Escritura e oferecer um visão além de bíblica, teológica, e que seja pastoral à luz do evangelho de Jesus que veio para trazer vida e vida em abundância

Temos nas Escrituras dois casos de suicídio. Sabe-se que a Bíblia é a revelação de Deus e nela encontramos eventos que mostram a vida como ela é. Pessoas desejando perder a vida, como o profetas Elias, Jó. Outros pedindo para não morrer, pois estão com medo, como foi com Jesus no caso do Getsêmani. Mas temos os casos de Saul e Sansão que foram atos suicidas. Dois fatos que se mostram nestess relatos destes suicidas, na proximidade da morte, vemos: "" meio de morrer e "razões, porque morrer".

Então ele gritou ao seu escudeiro: “Desembainha a tua espada e atravessa-me com ela, antes que esta gente incircuncisa me mate, gabando-se ainda do que fizeram.” Mas o homem teve medo de fazer tal coisa. Por isso, Saul pegou na sua própria espada e atirou-se sobre ela. Nessa altura, o escudeiro, vendo que Saul estava morto, matou-se da mesma forma 1a.Cr:10:4-5

Então Sansão orou assim: “Ó Senhor Deus, lembra-te de mim mais uma vez e dá-me novamente força, para que possa dar a paga a estes filisteus pela perda dos meus olhos. ...” 29 Sansão abraçou as colunas e aplicou toda a sua força. 30 “Que eu morra com os filisteus!”,... foi a sua última frase. . Juízes 16:28-30


Mas e hoje? Então, após alguns séculos dos eventos bíblicos relatados, o cristão se depara com a pergunta que aparece nos debates e diversos questionamentos aos pastores. Cristãos  que suicidam vão para o céu ou para o inferno? Vejamos algumas balizas para responder
Primeiro, como ja foi afirmado, a Bíblia nada fala do suicida em relação ao ato praticado. Entende-se que a Bíblia é a revelação progressiva de Deus e que sua revelação final esta em Jesus (Hb1:1-2), logo os casos bíblicos citados fazem parte da história e que entre esses atos suicidas e os dias atuais, hoje, existe uma cruz no meio da história e que faz toda a diferença. Visto que Jesus morreu num tempo histórico com um propósito histórico e o ser humano é histórico. Por isso o questionamento deve ser feito à luz do ministério e obra de Cristo.
Segundo, muito se anuncia nos púlpitos das igreja e se ensina nas escolas bíblicas. Que todos os pecados foram perdoados na cruz. E Deus por ser o Presente Eterno, perdoou os pecados: passado, presente e futuro. Ensina-se, que fomos salvos, : "estamos sendo salvos" Quanto à justificação já é salvo, quando se crê em Cristo. Quanto à santificação se está sendo salvos, na medida que progressivamente há uma transformação à imagem de Cristo. Noutras palavras Deus esta vendo toda a vida do ser humano e Ele sabe todos os acontecimento ou se pode afirmar que Deus "vive" eternamente o presente com o ser humano
Terceiro, o poder e o alcance da cruz de Cristo. Paulo escrevendo a igreja em Corinto, afirma:Pregamos Cristo crucificado Para alguns é escândalo, para outros é loucura; mas, para nós, Cristo crucificado é o poder de Deus” (cf. I Coríntios 1,23 Naturalmente se pode perguntar: há algo mais poderoso do que a cruz? Existe algo que possa anular o ato do perdão às pessoas daqueles que acreditaram neste "escândalo"? O poder da cruz foi anulado, pelo ato do suícidio? A resposta é com o leitor: Sim ou não
Concluindo, Paulo ja afirmava: "Nada pode nos separar do amor de Cristo" As pessoas que se encontram e habitam nos templos tem uma grande tarefa: serem acolhedores dos doentes. Também devem ministrar e serem propagadores da vida de qualidade. A igreja deve ser canal de benção acolhendo aos que sofrem. Muitos são excluídos e adoecem pois as suas comunidades religiosas os abandonaram.A exigências, regras, moralismos que fazem parte de um "sistema religioso" pode adoecer uma pessoa. O suicido ronda ao redor das pessoas e o papel fundamental da pregação do evangelho é produzir vida. Seguindo o modelo de Jesus  o cristão "caia na graça do povo"e "ensinava com autoridade". Cabe destacar que autoridade no contexto bíblico não é "mandar", "rotular""vencer"mas servir.
Muitas comunidades confundiram o evangelho do Reino de Deus com valores pessoais ou da sociedade. Muitos líderes falam "Deus proibe isso ou aquilo"; "Deus não gosta disso", mas na verdade é uma exposição dos valores pessoais do líder.A marca do evangelho de Jesus, é o serviço e que este serviço alcance aos deprimidos, panicosos, necessitados e de todos aqueles que sofrem doenças emocionais e que por falta de conhecimento são catalogados como endemoninhados. Muitas vezes estes doentes emocionais estão nas comunidades cristãs, ouvindo sermões que cada dia os oprimem. Pregações que colocam o auditório sob pressão. Pregadores que manipulam as emoções e ainda condenam friamente o sofrimento.
Propagar a vida e dar a oportunidade ao ser humano de viver a vida de qualidade prometida por Jesus, é o dever da igreja que afirma ser de Cristo. É hora de questionar as pregações, as regras, as leis moralistas, etc para conferir o quanto as comunidades cristãs propagam e oferecem nesta geração a vida prometida por Jesus: "Eu vim para que tenham vida de qualidade"João 10:10

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